Deputado preso em operação contra esquema no Detran-MT tentou dificultar produção de provas, diz desembargador

deputado estadual Mauro Savi (PSB), preso durante a Operação Bônus, deflagrada nesta quarta-feira (9), tentou dificultar a produção de provas durante o inquérito. A informação conta na decisão do desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que mandou prender o parlamentar.

Além de Savi, foram presos Paulo e Pedro Jorge Taques, primos do governador Pedro Taques (PSDB), e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo ‘Grilo’, e José Kobori.

O deputado e os primos do governador passaram por audiência de custódia, tiveram as prisões mantidas e levados para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

A operação é uma continuidade da Operação Bereré, que investiga suspeita de fraudes e desvio de verba do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), segundo o Ministério Público Estadual (MPE), em Cuiabá.

Na decisão que mandou prendê-los, o desembargardor afirma que o deputado trabalhou no intuito de dificultar a produção de provas a respeito dos crimes por ele praticado. Savi é apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) como sendo um dos chefes do esquema.

“Mauro Luiz Savi continua, a orquestrar, ordenar, garantir e se beneficiar de tais esquemas, dando perpetuidade à prática criminosa”, diz trecho da decisão.

Ainda segundo o desembargador, o deputado tem influência pelo cargo que ocupa.

“A atuação dele é marcada pela dissimulação, porquanto com sua habilidade e influência, ele mescla as atividades relacionadas com o exercício do mandato parlamentar que ocupa com as ações atinentes aos esquemas de recebimento ilícito de vantagens indevidas, dando roupagem de licitude àquilo que, segundo as investigações, é ilícito”, diz a decisão.

Durante a ação, ainda foram cumpridos cinco de busca e apreensão, em Cuiabá, São Paulo e Brasília.

 

Operação Bônus

A operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

A primeira fase da Operação Bereré aconteceu em fevereiro deste ano e investigava um esquema que desviou dinheiro do Detran, com o apoio de políticos, por meio de empresas de fachada.

Em nota, o governo diz que o contrato com a empresa EIG Mercados Ltda (antiga FDL), por meio da qual teriam sido desviados recursos públicos do Detran, foi rompido após a primeira fase da operação, em fevereiro, e que “tomou todas as medidas administrativas necessárias para evitar prejuízo ao erário”.

Texto: G1-MT