Investigador grava vídeo sendo expulso de unidade policial; delegado se defende

O investigador de Polícia Civil, Ivan Sabino Correa, registrou em vídeo o momento em que foi expulso da Delegacia de Polícia de Aripuanã pelo delegado Alexandre da Silva Nazareth, nesta quarta-feira (2). O delegado contou ao Olhar Direto que já há algum tempo vinha tendo problemas com o policial, que faltava e abandonava plantão e, por isso, pediu que ele fosse realocado.

O investigador disse que iria permanecer trabalhando ali, mas acabou sendo expulso. O policial agora deve se apresentar ao delegado regional de Juína, José Carlos de Almeida Junior. 

No vídeo, Ivan relata que está na sala do delegado, que teria colocado policiais para intimidá-lo e retirá-lo da delegacia. O investigador ainda diz que iria resistir à expulsão e no final do vídeo os policiais se aproximam dele para levá-lo para fora.

“Eu sou concursado e estou aqui à disposição da autoridade policial para exercer minhas funções. Neste exato momento a autoridade policial disse que vai me retirar à força de dentro da delegacia, pois eu não sou interessante para a administração pública de Aripuanã. Digo aos senhores que sou investigador concursado, não entrei pela janela, entrei pela porta e exijo o respeito dos meus direitos”, diz em trecho da filmagem.
  
O delegado Alexandre Nazareth disse que o investigador estava lotado em sua unidade há aproximadamente dois anos e que apresentava problemas de comportamento e indisciplinares. 
 
Segundo o delegado, Ivan tinha o costume de faltar e abandonar o plantão policial, mesmo quando só havia ele na delegacia. A explicação do policial era de que tinha que ir para a aula durante a noite. 
 
Por causa deste tipo de comportamento, o delegado disse que gerou transtornos e uma animosidade na delegacia, inclusive n a relação com a Polícia Militar, que já teve que ficar esperando na porta da delegacia para entregar presos quando o investigador tinha saído. 
 
Nazareth disse que procurou o delegado regional e outros superiores seus para saber como proceder com funcionários que estudavam. Ele foi informado que, em casos em que o funcionário fosse o único na unidade policial ele não poderia abandonar a delegacia por nenhum motivo, a não ser que conseguisse combinar com algum colega para trocar o plantão. 
 
O delegado então realizou uma reunião com todos os funcionários da delegacia para explicar esta situação. Ivan, não concordando com a regra, começou a espalhar que era perseguido pelo delegado. Nazareth negou as acusações do policial e disse que depois desta reunião começou a ter sua imagem manchada por Ivan. 
 
“Ele começou a espalhar em grupos, na faculdade dele também que era perseguido pelo delegado, que eu não queria que ele estudasse, que o assediava e perseguia, mas nada disso procede. Este tipo de situação nunca aconteceu nesta delegacia. Ele só se sentiu acuado quando percebeu que não iria conseguir trocar o plantão com nenhum colega, já que não tinha uma boa relação com ninguém da delegacia”. 
 
O delegado Alexandre então procurou o delegado regional de Juína, José Carlos de Almeida Junior, para pedir que o investigador fosse realocado para outra unidade. No dia 23 foi assinada a portaria que determinou que Ivan deveria se apresentar na Delegacia Regional para saber para onde seria realocado. 
 
Porém, o delegado contou que Ivan não concordou com a decisão e disse que iria sim continuando a trabalhar na Delegacia de Aripuanã. Na manhã de hoje ele compareceu à unidade policial e o delegado Alexandre o informou que ele deveria procurar o delegado regional para saber onde iria trabalhar. 
 
O investigador se recusou a sair e o delegado, por segurança, decidiu chamar outros policiais para presenciar o momento. O delegado então pegou a arma de Ivan, retirou a munição, e só a devolveu fora da delegacia, depois que ele foi retirado pelos outros policiais.

Ivan ainda deve se apresentar ao delegado regional e passar pelo Conselho Superior de Polícia. Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que “tomou conhecimento, extra-oficialmente, dos fatos envolvendo o investigador de polícia, Ivan Sabino Correa,  lotado na Delegacia de Aripuanã (1.002 km a Noroeste), e determinou a equipe da Corregedoria Geral (que está na região), para que se desloque até a cidade a fim de apurar eventual transgressão disciplinar, colhendo informações das partes e testemunhas, para tomada de providências administrativas que o caso requer”.

Texto: Wesley Santiago/Olhar Direto